Início Crônicas O PADRE E OS COROINHAS por Fernando Vasconcelos

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O PADRE E OS COROINHAS por Fernando Vasconcelos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Vasconcelos   
Qui, 20 de Novembro de 2008 15:14

O PADRE E OS COROINHAS

Fernando Vasconcelos   

Padre Edson era daquelas pessoas que cativam a todos no primeiro olhar. Alegre, extrovertido, dinâmico, satisfazia a todos os paroquianos. Mas, ninguém sabia o que acontecia nos bastidores. A alegria do padre Edson, que contagiava a todos, era direcionada, muitas vezes, para os recantos da sacristia ou para os lugares ermos da casa paroquial. Aí o padre alegre tornava-se o padre conquistador.

Como havia muitos coroinhas (jovens que ajudavam nas missas), Duran te muitos anos não deu para a comunidade desconfiar. Quando o padre fazia um carinho numa criança daqueles, todos achavam natural. Porém, num determinado dia, a bomba estourou. Uma paroquiana, daquelas conhecidas como “beata”, flagrou o padre em atitude indecorosa com um dos coroinhas. A partir daí, o escândalo ganhou as ruas.

Afastado das suas funções pelo bispo, o padre Edson foi preso por atentado violento ao pudor, com presunção de violência cometido contra meninos que eram coroinhas da paróquia onde atuava. E, em seguida foi condenado a dez anos e oito meses de reclusão. Seu advogado apelou, mas teve sua condenação mantida.

A decisão é da 1ª Câmara Criminal do TJ de Goiás que manteve a decisão condenatória, proferida por juíza de uma Comarca interiorana, , mas diminuiu a pena, originalmente fixada em dez anos e oito meses de reclusão em regime inicialmente fechado, para sete anos e sete meses de reclusão. O réu ainda pode recorrer aos tribunais superiores.

O desembargador relator da apelação observou que “no que tange ao alegado cerceamento de defesa, inexiste ilegalidade por terem sido as testemunhas arroladas pela defesa limitadas ao número legal, se a magistrada não julgou conveniente ouvir as excedentes como testemunhas do juízo”.

O julgado avaliou que "a acusação descreveu com clareza todas as condutas ilícitas imputadas ao apelante (Edson), bem como suas circunstâncias, permitindo o pleno exercício da defesa”. Segundo o acórdão, a palavra das vítimas - que denunciaram o padre - "possui valor probatório relevante nos crimes contra os costumes, especialmente quando narra com detalhes as condutas delituosas, indicando o local da execução, as características íntimas do autor e seu método de corrompê-las ao lhes oferecer dinheiro".

Acho que é hora da Igreja Católica tomar posicionamento firma contra esses pseudo-sacerdotes, vez que seus crimes assumem proporções maiores do que os praticados por criminosos comuns.  Estes não têm o poder de persuasão daqueles, não são líderes em comunidades, não usam a palavra de Deus para convencer pessoas. São crimes para lá de hediondos, já que se aproveitam da boa-fé e do respeito impostos às suas vítimas. 
Última atualização ( Qui, 20 de Novembro de 2008 15:23 )