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APMP entrevista o escritor Pedro Nunes, autor do livro GUERREIRO TOGADO PDF Imprimir E-mail
Escrito por APMP   
Seg, 10 de Novembro de 2008 14:05

 O escritor Pedro Nunes Filho, fala  do livro GUERREIRO TOGADO

Como você descobriu um incidente político de tamanha gravidade, que poucos paraibanos conhecem?

Quando eu era criança, gostava de ouvir meu pai contar a História do Fogo do Areal. Era uma epopéia sertaneja, cheia de lances de bravura e emoção.

 

Promotor público invade cidade paraibana

O promotor Augusto de Santa Cruz Oliveira, acompanhado de 120 homens fortemente armados, acaba de invadir a cidade de Monteiro, no Cariri paraibano. O revoltoso quebrou as portas da cadeia pública, soltou os presos e tomou como reféns várias autoridades, entre elas, o promotor em exercício e o prefeito daquela cidade. Houve resistência, tiroteio e mortes. O juiz e o vigário fugiram. A população está em pânico. Monteiro tornou-se um barril de pólvora. A partir de hoje, ninguém sabe o que pode acontecer.  

 

Este incidente político ocorreu no dia 6 de maio de 1911 e foi noticiado dessa forma pela imprensa da capital. Quem conta tudo isso com detalhes é o escritor Pedro Nunes Filho, no livro GUERREIRO TOGADO, pesquisa criteriosa e obra magistral, publicada pela Editora da Universidade Federal de Pernambuco. O prefácio é de Frederico Pernambucano de Mello. Comentários críticos da historiadora americana Linda Lewin, Manoel Rafael Neto e José Rafael de Menezes.

Como você descobriu um incidente político de tamanha gravidade, que poucos paraibanos conhecem?

Quando eu era criança, gostava de ouvir meu pai contar a História do Fogo do Areal. Era uma epopéia sertaneja, cheia de lances de bravura e emoção.

E aí...

Aí, um dia, eu resolvi escrever a história que meu pai contava. Depois de muita pesquisa, saiu um livro com quase 500 páginas, que só agora começa a despertar o interesse dos paraibanos.

Pode fazer uma resenha do livro?

Desentendimentos políticos entre o Dr. Santa Cruz e o governador da Paraíba, João Machado, levaram o bacharel a assumir uma posição estremada. Invadiu a sua cidade, quebrou a cadeia, soltou um morador seu que estava detido, em seguida, prendeu as principais autoridades do município. Diante do impasse, ficou tentando negociar um acordo com o governo. Além de não obter nenhuma concessão, 240 praças e 10 oficiais da polícia de Pernambuco deslocaram-se para Alagoa de Baixo, aguardando ordens para invadir Monteiro. Percebendo que não tinha condições de resistir na cidade, o Dr. Santa Cruz levou os reféns para a fazenda Areal, hoje situada no município da Prata, e preparou-se para a luta. Mais 160 homens da polícia paraibana chegaram a São Tomé. No dia 27 de maio de 1911, às 10 horas, atacaram a Fortaleza do Areal. Depois de algumas horas de luta, o bacharel revoltoso, sem munição. bateu em retirada e seguiu a pé para o Juazeiro, levando os reféns. Aos poucos, foi soltando um por um ao longo da extensa trajetória. No Juazeiro, foi recebido pelo Padre Cícero que tentou um acordo político com o Governador João Machado, nada conseguindo. Embora tenha aconselhado o bacharel a não prosseguir com a luta, depois de 6 meses de permanência nos domínios do padre, Santa Cruz voltou para sua fazenda, encontrando-a completamente incendiada. Juntou-se ao médico Franklin Dantas, pai de João Dantas, e, comandando 500 homens, saiu invadindo várias cidades com o propósito de depor João Machado.

Houve algum herói?

Houve, sim. Padre Onofre, um jovem sacerdote, natural de Guarabira, com formação na França, temporariamente a serviço da Paróquia de Alagoa do Monteiro. Toda a população fugiu da cidade, menos ele. Ficou tentando um acordo de pacificação entre os comandos policiais sediados em Alagoa de Baixo, em São Tomé e o bacharel. Padre Onofre fazia o longo, percurso com muitas idas e vindas, a cavalo.  Foi esse mesmo padre que em 1930, por acaso, ia passando na frente da farmácia onde o Presidente João Pessoa agonizava, vitima do incidente ocorrido na Confeitaria Glória, em Recife.

Chamaram-no e ele deu a extrema-unção ao político moribundo.

Quais as autoridades de destaque que se envolveram direta ou indiretamente no incidente?

 

O governador da Paraíba, João Machado, o governador de Pernambuco, Herculano Bandeira, o Ministro da Guerra, Dantas Barreto, o Senador Epitácio Pessoa, o Presidente da República, Hermes da Fonseca, o Padre Cícero e o Padre Onofre, os dois últimos, na condição exclusiva de pacificadores.

 

Como é possível adquirir o livro GUERREIRO TOGADO?

A edição está quase esgotada. A editora não dispõe mais de nenhum volume. Tenho um saldo de estoque que me coube e posso atender pedidos pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Que outros livros você publicou sobre a Paraíba?

Um livro de contos rurais, CAATINGA BRANCA, e, recentemente, CARIRIS VELHOS, uma obra de grande interesse cultural para a Paraíba, lançada pela Jabre Edições, no Recife, e muita bem aceita pelos pernambucanos. Falta-me oportunidade para lançar este livro na Paraíba.