|

O escritor Pedro Nunes Filho, fala do livro GUERREIRO TOGADO: Como você descobriu um incidente político de tamanha gravidade, que poucos paraibanos conhecem? Quando eu era criança, gostava de ouvir meu pai contar a História do Fogo do Areal. Era uma epopéia sertaneja, cheia de lances de bravura e emoção.
Promotor público invade cidade paraibana O promotor Augusto de Santa Cruz Oliveira, acompanhado de 120 homens fortemente armados, acaba de invadir a cidade de Monteiro, no Cariri paraibano. O revoltoso quebrou as portas da cadeia pública, soltou os presos e tomou como reféns várias autoridades, entre elas, o promotor em exercício e o prefeito daquela cidade. Houve resistência, tiroteio e mortes. O juiz e o vigário fugiram. A população está em pânico. Monteiro tornou-se um barril de pólvora. A partir de hoje, ninguém sabe o que pode acontecer. Este incidente político ocorreu no dia 6 de maio de 1911 e foi noticiado dessa forma pela imprensa da capital. Quem conta tudo isso com detalhes é o escritor Pedro Nunes Filho, no livro GUERREIRO TOGADO, pesquisa criteriosa e obra magistral, publicada pela Editora da Universidade Federal de Pernambuco. O prefácio é de Frederico Pernambucano de Mello. Comentários críticos da historiadora americana Linda Lewin, Manoel Rafael Neto e José Rafael de Menezes. Como você descobriu um incidente político de tamanha gravidade, que poucos paraibanos conhecem? Quando eu era criança, gostava de ouvir meu pai contar a História do Fogo do Areal. Era uma epopéia sertaneja, cheia de lances de bravura e emoção. E aí... Aí, um dia, eu resolvi escrever a história que meu pai contava. Depois de muita pesquisa, saiu um livro com quase 500 páginas, que só agora começa a despertar o interesse dos paraibanos. Pode fazer uma resenha do livro? Desentendimentos políticos entre o Dr. Santa Cruz e o governador da Paraíba, João Machado, levaram o bacharel a assumir uma posição estremada. Invadiu a sua cidade, quebrou a cadeia, soltou um morador seu que estava detido, em seguida, prendeu as principais autoridades do município. Diante do impasse, ficou tentando negociar um acordo com o governo. Além de não obter nenhuma concessão, 240 praças e 10 oficiais da polícia de Pernambuco deslocaram-se para Alagoa de Baixo, aguardando ordens para invadir Monteiro. Percebendo que não tinha condições de resistir na cidade, o Dr. Santa Cruz levou os reféns para a fazenda Areal, hoje situada no município da Prata, e preparou-se para a luta. Mais 160 homens da polícia paraibana chegaram a São Tomé. No dia 27 de maio de 1911, às 10 horas, atacaram a Fortaleza do Areal. Depois de algumas horas de luta, o bacharel revoltoso, sem munição. bateu em retirada e seguiu a pé para o Juazeiro, levando os reféns. Aos poucos, foi soltando um por um ao longo da extensa trajetória. No Juazeiro, foi recebido pelo Padre Cícero que tentou um acordo político com o Governador João Machado, nada conseguindo. Embora tenha aconselhado o bacharel a não prosseguir com a luta, depois de 6 meses de permanência nos domínios do padre, Santa Cruz voltou para sua fazenda, encontrando-a completamente incendiada. Juntou-se ao médico Franklin Dantas, pai de João Dantas, e, comandando 500 homens, saiu invadindo várias cidades com o propósito de depor João Machado. Houve algum herói? Houve, sim. Padre Onofre, um jovem sacerdote, natural de Guarabira, com formação na França, temporariamente a serviço da Paróquia de Alagoa do Monteiro. Toda a população fugiu da cidade, menos ele. Ficou tentando um acordo de pacificação entre os comandos policiais sediados em Alagoa de Baixo, em São Tomé e o bacharel. Padre Onofre fazia o longo, percurso com muitas idas e vindas, a cavalo. Foi esse mesmo padre que em 1930, por acaso, ia passando na frente da farmácia onde o Presidente João Pessoa agonizava, vitima do incidente ocorrido na Confeitaria Glória, em Recife. Chamaram-no e ele deu a extrema-unção ao político moribundo. Quais as autoridades de destaque que se envolveram direta ou indiretamente no incidente? O governador da Paraíba, João Machado, o governador de Pernambuco, Herculano Bandeira, o Ministro da Guerra, Dantas Barreto, o Senador Epitácio Pessoa, o Presidente da República, Hermes da Fonseca, o Padre Cícero e o Padre Onofre, os dois últimos, na condição exclusiva de pacificadores. Como é possível adquirir o livro GUERREIRO TOGADO? A edição está quase esgotada. A editora não dispõe mais de nenhum volume. Tenho um saldo de estoque que me coube e posso atender pedidos pelo e-mail
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
Que outros livros você publicou sobre a Paraíba? Um livro de contos rurais, CAATINGA BRANCA, e, recentemente, CARIRIS VELHOS, uma obra de grande interesse cultural para a Paraíba, lançada pela Jabre Edições, no Recife, e muita bem aceita pelos pernambucanos. Falta-me oportunidade para lançar este livro na Paraíba. |