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ODEIO MEU PROFESSOR por Fernando Vasconcelos



Muitos reclamos têm aflorado na Imprensa e, principalmente, na Internet, sobre as comunidades postadas no Orkut, a maioria das quais destilam ódio, rancor, incitam ao crime. Professor há trinta e oito anos e aficionado da Rede, nunca tive o cuidado de avaliar se o professor era querido ou odiado nas páginas do Orkut e fiquei preocupado com uma reportagem publicada na Folha de São Paulo sobre o assunto.


Diz a matéria: “Professor vira alvo de chacota e ofensa de aluno na internet - Por causa de uma nota baixa ou por pura implicância, estudante usa site para humilhar o mestre em público”. Em uma pesquisa realizada no Orkut com "odeio" e "professor", com certeza surgirão mais de mil grupos de discussão.


A lista terá comunidades aparentemente inofensivas (como "Odeio a voz do meu professor"), mas também incluirá outras raivosas e com nome da vítima (como "Odeio a professora Etiene").


Aqui em João Pessoa, alunas de um colégio religioso criaram uma comunidade há alguns anos denominada “Nós odiamos fulana”. A menina, de treze anos, pirou! No caso da professora acima citada, a comunidade havia sido criada por um grupinho de alunas de 13 anos após serem repreendidas numa aula. Ao lado de uma foto de Etiene riscada com um xis, as meninas escreviam com deboche sobre o corpo, o cabelo e até as roupas dela.


Alunos e professores, no início, eram vítimas do "bullying". No ambiente escolar, o "bullying" sempre foi associado àquele aluno valentão infernizando a vida do colega mais fraco. A novidade é que ele agora ataca o professor. E pela internet.


Estudo do Sinpro (sindicato de mestres) do Rio Grande do Sul mostra que, a cada quatro professores gaúchos, um já sofreu agressão na internet. Os motivos: o aluno tirou nota baixa, incomodou-se com um trejeito do professor ou simplesmente não foi com a cara dele.


Nas minhas aulas e palestras já citei casos de professores que requereram indenização no Judiciário por agressões de alunos em sala de aula. Mas, agora, a coisa fica mais difícil, com ataques n0omionados ou anônimos na Rede Internet.


O delegado Pedro Marques, da Delegacia contra Crimes Cibernéticos de Minas Gerais, minimiza:
- Alguns alunos acham que não passa de brincadeira. Outros crêem que estão anônimos na internet.


Mas, não é brincadeira. Calúnia, difamação e injúria são crimes. Quando o autor é maior de idade, pode ser condenado à prisão. Quando menor, ser advertido ou, em caso grave, internado em entidade sócio-educativa. Em 2008, os pais de um grupo de alunos de um colégio particular de Rondônia foram sentenciados a pagar R$ 15 mil por danos morais a um professor de matemática vítima de chacota no Orkut.


O "bullying", que a princípio funcionava nas escolas de primeiro e segundo grau, também está no ensino superior. Uma professora de jornalismo numa faculdade daqui de João Pessoa foi alvo dos desabafos de um estudante de 24 anos no Orkut. Ele a chamava de velha e dissimulada. Apareceu gente escrevendo que a mestra era uma oferenda que deveria voltar para o mar.


Via de regra, as pessoas ficam perturbadas. Aquela figura do mestre, um profissional que merece respeito, não existe mais. O pior é que a escola vê o aluno como cliente. Não quer perdê-lo e, por isso, muitos professores preferem calar-se diante dos ataques psicológicos cometidos pelos alunos. Vamos dar um basta nessa situação!