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CARTÃO DE NATAL - João Cabral de Melo Neto
Pois que reinaugurando essa criança Pensam os homens Reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, Fresco como o pão do dia; Pois que neste dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece Que vão enfim poder explodir suas sementes: Que desta vez não perca este caderno sua atração núbil para o dente; Que o entusiasmo conserve vivas suas molas, E possa enfim o ferro comer a ferrugem, o sim comer o não.
SENHORES ASSOCIADOS,
O ano de 2009 foi, com certeza, um ano histórico e rico para o Ministério Público do Estado da Paraíba, com reflexos em todo o país. Um ano de realizações e muitas batalhas onde o bom combate triunfou. Agora, o ocaso aproxima-se e mais um ciclo se completa. São trezentos e sessenta e cinco dias que se findam, para que outros trezentos e sessenta e seis comecem. É a repetição infindável da sabedoria divina... Aurora e ocaso; sol e chuva; noite e dia; guerra e paz! Antíteses que lembram ao homem a metáfora do recomeço que ele teima em negar, em esquecer. Foi um ano bem vivido. Alegrias e tristezas, derrotas e vitórias, frustrações e realizações com certeza existiram; umas mais, outras menos; todas, entretanto, superadas pela união de todos e com a força de cada um. Aproxima-se um novo ano, um novo tempo! Renovam-se as esperanças em dias melhores. Renovam-se os sonhos e multiplicam-se o acreditar na vida. Novas conquistas e realizações prenunciam-se. O acreditar e sonhar são necessários para confirmá-las. Não podemos esquecer que o nascimento do menino Deus representou para a humanidade a crença em dias mais justos e perfeitos. Não podemos olvidar que ele representa, sempre, o recomeço. A importância dos adornos natalinos, luzes, arranjos, cartões de natal, ceia e mensagens poéticas não podem suplantar a força da fé e a lembrança de data tão especial. É chegada a hora de uma imersão espiritual para que prescutemos a nossa alma ouvindo o criador. Saibamos entender que quando não for natal, ainda possamos escutar canções alegres, dessas que faz gente “meninar”. Saibamos entender que ainda existirão crianças abandonadas e que a solidariedade não ancora à nossa porta apenas uma vez ao ano. Velhos existirão nos asilos com olhos postos ao longe à espera de visitas que nunca chegarão. Não podemos esquecer as mazelas sociais e que a improbidade drena recursos do Estado jogando na sarjeta milhões de seres humanos. Saibamos entender que a escola pública deve ser digna dos nossos filhos! Que seja excelente porque pública. Saibamos entender que o sistema carcerário deve ser reformado e que a sociedade confia em nós como transformadores sociais. Não nos descuidemos do alento devido às vítimas e suas famílias, servindo-lhes o lenitivo da justiça mais lídima. Não podemos deixar que a árvore e os enfeites natalinos voltem ao depósito e fiquem escondidos, sem vida e brilho, por mais onze meses. Vamos renascer em dois mil e dez com mais amor, união e consciência. Que a magia do natal seja eterna e a metáfora das antíteses vença a nossa cegueira. FELIZ NATAL E QUE O ANO DE 2010, seja o caminho para a realização de todas as nossas aspirações pessoais e institucionais.
São os votos da Associação Paraibana do Ministério Público.
João Arlindo Corrêa Neto Presidente da APMP
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